Ex-ministro Raul Jungmann é sepultado em Brasília: 'Homem de diálogo', diz filha

  • 19/01/2026
(Foto: Reprodução)
Raul Jungmann morre em Brasília O corpo do ex-ministro Raul Jungmann foi velado e enterrado nesta segunda-feira (19), em cerimônia restrita para família e amigos, no cemitério Campo da Esperança, em Brasília. Raul Jungmann tinha 73 anos e lutava contra um câncer no pâncreas. Ele foi internado em novembro de 2025 e chegou a deixar o hospital em dezembro. No fim do mês, próximo ao Natal, voltou a ser internado e saiu após o Ano Novo. Ele foi internado novamente neste sábado (17) e faleceu no domingo (18). 📱 Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça Raul Jungmann, ex-deputado e ex-ministro é velado em cerimônia restrita TV Globo/Reprodução 'Um homem de diálogo' Júlia Jungmann, filha de Raul, expressou o grande orgulho que sua família sente pela trajetória do pai, destacando o privilégio de ter convivido e aprendido com ele. "Ele deixou um exemplo, um legado; lutou a vida inteira por um país mais justo. De ontem para hoje temos recebido muitas mensagens, e algo chama a atenção: é meio consenso que ele era um homem de diálogo", destacou. Júlia Jungmann, filha do ex-deputado e ex-ministro Raul Jungmann TV Globo/Reprodução Segundo ela, Jungmann deixou um legado marcado pela busca constante por um país mais justo e por sua capacidade de dialogar com diferentes setores da sociedade. "Num mundo e num país com tanta dificuldade de conversar, quis deixar essa mensagem, em nome dele: que tenhamos força, coragem, ousadia e criatividade para dialogar. Não só com nossos pares, mas com os diferentes. Que possamos sentar à mesa, como ele fazia, conversando com militares, esquerda, direita, centro, indígenas, grandes empresários. A gente precisa conversar com os diferentes e, nas diferenças, achar soluções para um Brasil melhor. Então, peço que todos que foram tocados por ele levem consigo isso: que possamos conversar e dialogar por um Brasil mais justo e melhor", finalizou. Primeiro ministro da Segurança Pública Raul Jungmann, em foto de 2017. Dida Sampaio/Estadão Ao longo da carreira política, ocupou quatro vezes o cargo de ministro e teve três mandatos na Câmara dos Deputados. Durante o governo Fernando Henrique Cardoso, esteve à frente do Ministério do Desenvolvimento Agrário e de Políticas Fundiárias. Já na gestão de Michel Temer, comandou o Ministério da Defesa. Em 2018, tornou-se o primeiro ministro da Segurança Pública do Brasil. Saiba mais: Morte de Jungmann repercute entre políticos e admiradores 'Brasileiro que soube servir ao país': Temer lamenta morte do ex-ministro Ainda no governo Temer, Jungmann também foi responsável por coordenar operações baseadas em decretos de Garantia da Lei e da Ordem (GLO), que autorizaram o emprego das Forças Armadas em estados afetados por crises na segurança pública. Na juventude, militou no antigo Partido Comunista Brasileiro (PCB). Ao longo da trajetória partidária, foi filiado ao MDB entre 1972 e 1994, integrou o PPS até 2001, migrou para o PMDB e retornou ao PPS em 2003, no qual permaneceu até 2018. Raul Jungmann em foto de 2018. Fábio Motta/Estadão Três mandatos na Câmara A projeção nacional como ministro contribuiu para sua eleição como deputado federal por Pernambuco em 2002. Foi reeleito em 2006 e, quatro anos depois, concorreu ao Senado, mas não obteve êxito. Em 2012, conquistou novo mandato eletivo, desta vez como vereador do Recife. Nas eleições de 2014, ficou na suplência para a Câmara dos Deputados. Como deputado, foi vice-presidente da CPI dos Sanguessugas, que apurou um esquema de corrupção envolvendo a compra de ambulâncias. Também atuou como um dos líderes da Frente Brasil Sem Armas durante o referendo de 2005 sobre a comercialização de armas. Na legislatura iniciada em 2015, exerceu mandato de deputado federal até 2016. Na oposição ao governo Dilma Rousseff, defendeu o impeachment da presidente, processo que resultou na chegada de Michel Temer à Presidência da República. Também foi presidente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA). Jungmann chegou a ser investigado por suspeitas de fraude em licitação, peculato e corrupção em contratos de publicidade firmados durante sua gestão no Ministério do Desenvolvimento Agrário, que somavam R$ 33 milhões. O inquérito foi posteriormente arquivado pela Justiça Federal. O ex-ministro deixa dois filhos e uma neta. Velório e cremação serão realizados em cerimônia restrita a parentes e amigos em Brasília. Políticos repercutem morte de ex-ministro Raul Jungmann Nota do IBRAM "Com imenso pesar, o Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM) comunica o falecimento de Raul Belens Jungmann Pinto, diretor-presidente da instituição, ocorrido em 18 de janeiro de 2026, em Brasília. Em atenção a um desejo de Raul Jungmann, o velório ocorrerá em cerimônia reservada a familiares e amigos próximos. Pernambucano, Raul Jungmann dedicou mais de cinco décadas à vida pública brasileira, atuando com integridade, espírito republicano e um compromisso inabalável com a democracia, o desenvolvimento sustentável e o diálogo. Ao longo de sua trajetória, ocupou funções de grande relevância nacional, entre elas a presidência do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), três mandatos como deputado federal e quatro ministérios - Política Fundiária, Desenvolvimento Agrário, Defesa e Segurança Pública. Em 2022, assumiu a presidência do IBRAM, liderando uma importante agenda de transformação do setor mineral, pautada pelos princípios ESG (Ambiental, Social e Governança) e pela defesa de uma mineração mais responsável e alinhada aos desafios do século XXI. Sob sua liderança, o IBRAM fortaleceu seu protagonismo institucional e seu compromisso com a legalidade, a sustentabilidade, a inovação e o papel estratégico dos minerais na transição energética global. Jungmann será lembrado por sua competência, visão estratégica, capacidade de articulação e pelo legado de diálogo e ética que deixa não apenas na mineração, mas em toda a vida pública brasileira. Para Ana Sanches, presidente do Conselho Diretor do IBRAM, Raul Jungmann foi um homem público de estatura singular, defensor firme da democracia e profundamente comprometido com o Brasil e com o interesse público. Segundo ela, à frente da Diretoria Executiva do Instituto, Jungmann conduziu a entidade por um período decisivo, fortalecendo o IBRAM e beneficiando todo o setor mineral, período este marcado pelo diálogo, pela visão estratégica e pela integridade. Seu legado constitui um marco na história do Brasil, do IBRAM e da indústria da mineração. Neste momento de profunda tristeza, o IBRAM manifesta solidariedade à família, amigos e colegas de jornada, agradecendo por tudo que Raul Jungmann representou para o Brasil, ao setor mineral e ao Instituto." Leia mais notícias sobre a região no g1 DF.

FONTE: https://g1.globo.com/df/distrito-federal/noticia/2026/01/19/raul-jungmann-ex-deputado-e-ex-ministro-e-enterrado-em-brasilia-homem-de-dialogo-diz-filha.ghtml


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